Associação Nacional dos Agentes de Segurança Institucional do MPU e CNMP

III Congresso de Mulheres na Polícia: um grande fórum sobre como a força feminina é tratada e como é vista pelos colegas de corporação e pela sociedade

Brasília, 10 de setembro de 2021.

Fenapef apoiou o evento que contou com a participação de diversas policiais federais entre palestrantes e participantes
 

Foram dois dias de profundo mergulho e troca de experiências investigativas e operacionais, na análise de modelos de sucesso e em demonstrações de como a presença feminina em instituições tradicionalmente masculinas ajuda a formar um capital humano mais interessante, dinâmico e competente. Mas, também, um momento para refletir sobre questões que afetam muitos profissionais, independentemente de gênero: o assédio. O III Congresso de Mulheres na Polícia, que aconteceu em João Pessoa nos dias 27 e 28 de agosto, foi um grande encontro de profissionais que atuam em diferentes instituições para tratar de Segurança Pública sob a ótica das mulheres.

Apoiado pela Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef), o Congresso abordou desde problemas com a formação da mulher policial até a tendência à falta de empatia com a gestante. Também tratou de questões que afetam toda a categoria, como as reformas apresentadas pelo governo e que estão em debate no Congresso Nacional, além de temas que interessam a toda a sociedade brasileira, como o combate à corrupção.

“O evento se mostrou bem mais do que eu esperava. Tivemos o privilégio de reunir mulheres de diferentes cargos e diferentes instituições para tratar de Segurança Pública sob o ponto de vista das mulheres policiais, cada uma mostrando a sua realidade dentro da corporação em que atua”, relatou a agente da Polícia Federal Daniela de Almeida. “O Congresso oportunizou a troca de experiências investigativas e operacionais a partir das observações dos modelos de sucesso trazidos pelas policiais femininas, refletindo a força e os resultados da mulher em uma instituição sólida e tão necessária para o Estado de Direito”, definiu a escrivã da Polícia Federal, Cláudia Horchel.

Para a presidente do Sindicato dos Policiais Federais de São Paulo (Sinpf-SP), Susanna do Val Moore, um encontro como o Congresso de Mulheres na Polícia é importante não só por reunir profissionais que trabalham na segurança pública, mas por permitir que elas possam se unir e buscar, em cada corporação, ser ouvidas. “Muitas vezes elas são tratadas como inexistentes, já que, em alguns locais, sequer existem banheiros femininos ou de descanso para gestantes”, observou destacando Susanna, que é instrutora de tiro na Academia Nacional de Polícia, e falou sobre a importância das mulheres policiais nas investigações. “A polícia é para as mulheres também. Elas têm conquistado lugar de destaque, são qualificadas e especializadas. Isso colabora com a melhoria da segurança pública”, defende.

Assédio, violência e risco

Cláudia Horchel avalia que um dos pontos mais importantes foi o debate sobre questões que vão além do risco e da violência inerentes à atividade profissional. “Isso é quase uma característica da atividade policial. Mas, além disso, temos que lidar com preconceito e provações que decorrem do fato de vivermos em uma sociedade patriarcal e fazermos parte de um ambiente ainda masculinizado, como as forças de segurança”, avalia.

Relatos sobre assédio moral também fizeram parte da discussão. Daniela de Almeida diz que ele é decorrente do simples fato de haver mulheres nas corporações: “São poucos que acreditam na nossa competência dentro da Polícia Federal. Os relatos que tivemos durante o evento foram assustadores: há casos de mulheres que foram expostas a opiniões de que o curso de formação seria fraco simplesmente por mulheres terem se graduado”, relatou. “Nós vemos homens subjugando mulheres o tempo todo, mas nunca diretamente, sempre com comportamentos velados”, observou.

“A falta de empatia com as policiais gestantes também foi discutida, uma vez que não existe nenhum cuidado em relação ao período de gravidez. Nós temos que continuar com as mesmas funções, os mesmos níveis de exigência de quando não estamos gestantes, por exemplo nos colocando em plantão, em missão, contou Daniela.

Uma das propostas apresentadas ao longo do evento foi a construção de um espaço onde a mulher policial possa fazer suas reivindicações e que elas sejam acatadas com seriedade. Na Fenapef, isso pode ser concretizado a partir da estruturação da Diretoria da Mulher, cuja implementação se dará com a posse da nova diretoria, marcada para primeiro de janeiro do ano que vem. A implementação da Diretoria da Mulher foi aprovada em assembleia que reuniu policiais federais de todo o País ligados à estrutura sindical.

“Outra proposta de melhoria é a implementação de matérias dentro do curso de formação que estimulem o olhar mais igualitário em relação às mulheres, onde ensinem sobre as atribuições e estimulem a necessidade de quebrar essa barreira entre uma policial mulher e um homem, porque somos diferentes, mas isso não altera a nossa competência”, assegurou Daniela.

Maior interação

As policiais lamentaram a pouca participação de homens no Congresso. “Apesar de ser um Congresso de mulheres, não era um encontro exclusivo para mulheres. Poucos homens estavam presentes e isso é uma infelicidade, porque é preciso que eles desenvolvam uma escuta para as propostas e reclamações das mulheres que também compõem a Polícia Federal”, observou a palestrante Daniela de Almeida.

Uma opinião foi unânime entre as policiais que participaram do encontro: o Congresso superou as expectativas tanto pela qualidade dos debates quanto pela oportunidade de interação entre profissionais de várias corporações.

“A construção de uma sociedade igualitária também depende de que os órgãos de segurança pública respeitem e compreendam as mulheres em seus ambientes de trabalho”, avalia Daniela de Almeida. Para ela, nada melhor que a troca de ideias para promover igualdade, especialmente se essa troca vem “de quem sente na pele a desigualdade, a discriminação e a injustiça relacionada ao gênero em nossa sociedade, que ainda persiste em ser, na essência e, sobretudo, na prática, extremamente machista”.
 
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